manifestação pela liberdade
religiosa em juazeiro do norte
chegada da passeata - praça padre cícero [foto: glauco
vieira]
O início de 2012 em Juazeiro do Norte, no momento em que a cidade se prepara para uma de suas principais romarias - a de Nossa Senhora das Candeias -, é marcado por uma manifestação pela diversidade religiosa que, percorrendo logradouros públicos centrais, provoca atenção da população urbana cuja maior concentração é de católicos. Trata-se da III Caminhada pela Liberdade Religiosa, com a seguinte chamada: pelo direito de ter fé. Conforme panfleto divulgado na passeata, o ato público propôs convocar "a sociedade carirense a refletir para sua diversidade religiosa (...) uma reflexão crítica voltada para o cotidiano que enxergue a discriminação e constrangimentos históricos por quais passam os praticantes das religiões não predominantes, principalmente os praticantes das religiões negras e indígenas". A organização do evento Ilé axé omimdandereci e mutalegi, que conseguiu reunir principalmente praticantes e representantes da Umbanda e do Candomblé .
O início de 2012 em Juazeiro do Norte, no momento em que a cidade se prepara para uma de suas principais romarias - a de Nossa Senhora das Candeias -, é marcado por uma manifestação pela diversidade religiosa que, percorrendo logradouros públicos centrais, provoca atenção da população urbana cuja maior concentração é de católicos. Trata-se da III Caminhada pela Liberdade Religiosa, com a seguinte chamada: pelo direito de ter fé. Conforme panfleto divulgado na passeata, o ato público propôs convocar "a sociedade carirense a refletir para sua diversidade religiosa (...) uma reflexão crítica voltada para o cotidiano que enxergue a discriminação e constrangimentos históricos por quais passam os praticantes das religiões não predominantes, principalmente os praticantes das religiões negras e indígenas". A organização do evento Ilé axé omimdandereci e mutalegi, que conseguiu reunir principalmente praticantes e representantes da Umbanda e do Candomblé .
O Grupo de Estudos Urbanos - GEURB-Cariri acompanhou o percurso com registro observacional e de imagens, desde a concentração na praça Dirceu Figueiredo (Prefeitura Municipal), descendo pela rua São Pedro até a culminância do ato público na praça Padre Cícero.
carro condunzindo orixás - rua são pedro [foto: glauco vieira]
Na concentração final, na praça central da cidade,
ao redor do palco defronte à coluna da hora e da estátua do Padre Cícero, os
participantes da passeada misturaram-se entre os olhares de curiosos, das
lentes da imprensa local e passantes que ali paravam atraídos pelos adereços,
vestimentas dos praticantes das religiões afro-descendentes, e da música
entremeada pela fala de seus representantes. Mães e pais-de-santo
manifestaram-se a favor da inclusão de sua prática religiosa alertando
para que "nenhuma forma de religiosidade, mesmo que hegemônica, seja
tomada como forma absoluta a ponto de sufocar as demais".
cântico e dança dos participantes - palco/pça pe cícero [foto: glauco
vieira]
Apesar do crescimento do número de católicos no mundo (1.166 bilhão em
2008), sendo observado sobretudo na África (33,02%)*, o catolicismo no Brasil
vem apresentando baixas desde 1872 (70%), conforme o Novo Mapa das Religiões
produzido pela Fundação Getulio Vargas - FGV. Em contrapartida, os evangélicos
continuam crescendo de 17,9% para 20,2%. Conforme a pesquisa da FGV, que também
utiliza a base de dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística -
IBGE, o número de brasileiros que se diziam católicos caiu de 73,8% para 68,4%
entre 2003 e 2009.
praticante afro-religiosa - palco/praça padre cícero [foto: glauco vieira]
Em juazeiro do Norte, a expansão dos evangélicos vem ganhando expressão
na última década, embora ainda a presença católica seja majoritária (93,8%).
Nas pesquisas, as minorias religiosas são denominadas "outras
religiões". Entretanto, o ato de insurgência dos praticantes de religiões
com raízes africanas no espaço de Juazeiro, vêm às ruas e principal praça para
dizer "que na cidade cabe todo mundo". Com um grito de resistência,
chegaram não para se manifestarem contra qualquer outra religião manifesta na
cidade, mas reivindicar o respeito e atenção dos cidadão: "nós que
construimos este ato público (...) sairemos às ruas de Juazeiro convictos de
que a construção de um mundo ideal só ocorrerá com a luta por justiça e
respeito neste momento."***
exposição fotográfica - palco/pça pe cícero [foto: glauco vieira]





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